Home Tecnologia O mar está engolindo esta cidade mexicana

O mar está engolindo esta cidade mexicana

6
0

“É por isso que meu marido quase nunca sai. É preciso ir muito longe, no mar”, diz Florencia Hernandez, 81 anos, avó de Otsoa e Ramón, conhecido localmente como Pola. Numa cadeira de rodas rodeada de memórias – retratos a preto e branco, anzóis de chumbo, a linha de pesca que segura nas mãos – ela é a testemunha mais longeva da transformação que a sua terra sofreu. Ela aprendeu o ofício de pesca na juventude.

“Meu pai me ensinou. Assim como meu avô, ele era pescador. Ele tinha um barquinho de madeira e me levou quando eu era criança”, diz Hernandez enquanto mostra um álbum de fotos. “Depois, pesquei com meu irmão Salvador. Quem pegava o motor era eu. Saíamos à noite. Quando me casei, acompanhei meu marido. Levantava bem cedo, deixava a roupa lavada e preparado para quando voltássemos do dia de trabalho. Em pouco tempo, enchíamos cestos com peixes que vendíamos à tarde”, conta.

Um barco abandonado na comunidade pesqueira de Las Barrancas, no México.Fotografia: Seila Montes

Hernandez e seu marido criaram os filhos com o que ganhavam no mar. “O mar que me deu tudo e agora me tira tudo”, diz ela com a voz embargada. Em Las Barrancas convivem todos os dias com o medo da chegada de um furacão como o Roxanne, que chegou em 1995. “Eu tinha apenas 8 anos, mas me lembro muito bem. “, diz Ramón.

Mudanças Climáticas e Projetos Mal Planejados

Entre as tempestades, o nível do mar continua a subir gradualmente. Nas águas do Golfo do México, esse aumento é cerca de três vezes mais rápido que a média global, segundo um estudo de 2023 publicado na Nature. “Isso pode ser devido à perda de habitats importantes, como ervas marinhas e recifes, barreiras naturais que protegem a costa”, diz Patricia Moreno-Casasola, bióloga do Instituto de Ecologia.

“Aqui já são 100 metros de praia”, diz Otsoa. “O impacto não tem sido só ambiental e na pesca, onde vivemos, mas também tem tido um grande impacto social. A praia foi o nosso meio de comunicação com as outras comunidades vizinhas”, explica a pescadora. O turismo que a sua cidade costumava atrair também diminuiu.

“Minha mãe tinha uma barraca de comida na praia que ficava lotada na Páscoa, um comércio que vendia salgadinhos. Vivíamos dessa renda quase o ano todo”, diz Ramón. Até corridas de cavalos eram organizadas ali na praia.”

fonte

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here